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O que é mesmo verdade em relação ao emagrecimento?

O processo de emagrecimento é cercado de uma série de crenças. Elas vão desde as mais simples, como achar que beber mais de dois litros de água por dia ajuda a emagrecer, até aquelas que oferecem riscos, como para as pessoas que acreditam que praticar exercícios em jejum potencializa a eliminação de peso.

Em um universo que abrange cerca de um bilhão e duzentas mil pessoas acima do peso, ao redor do planeta, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, é normal que surjam dúvidas, geralmente, vindas do conhecimento popular.

O fato é que existem, sim, fatores que influenciam e podem auxiliar no combate ao excesso de peso. Mas, é preciso tomar cuidado e conhecer o funcionamento do organismo para não desperdiçar tempo e, principalmente, não colocar a saúde em risco.

Fechando a boca

Parar de comer ou reduzir drásticamente a quantidade de alimentos ingeridos é uma das primeiras iniciativas tomadas por quem busca reduzir o peso. O jejum, nesse caso, é induzido pela falsa sensação de que comer muito é sinônimo de engordar. Muitos vão além e se utilizam da prática aliada aos exercícios físicos. Mais uma vez, com a idéia errônea de que, dessa maneira podem potencializar a eliminação de gordura.

"O jejum não ajuda e ainda atrapalha. A auto-imposição das pessoas em fazer dietas muito restritivas parece ter um efeito rebote, que pode levar à compulsão alimentar. Por sua vez, a compulsão alimentar se associa às conseqüências emocionais como a perda da auto-estima e mudanças no humor, tão evidentes na obesidade", alerta Lilian Cardia, nutricionista do grupo multidisciplinar Peso e Equilíbrio, especializado no tratamento da obesidade.

Além disso, ficar sem comer faz com que a fome aumente e, desta maneira, as pessoas façam opções erradas ou exageradas na hora em que vão se alimentar. "Fica difícil escolher com senso crítico. Vamos comendo o que aparece pela frente e, em geral, alimentos ?gostosinhos?, ricos em calorias, que ultrapassam o nosso orçamento calórico para aquela refeição. É preciso manter regularidade entre as refeições para evitar os efeitos negativos do jejum sobre o apetite e a ingestão alimentar", afirma Lílian.

Outro mito comum em relação ao emagrecimento é o de que chás e produtos naturais são de grande valia. Trata-se de substâncias de forte apelo popular e que, mesmo ditas naturais, devem ser acompanhadas de orientação clínica e nutricional. "O apelo ao emagrecimento rápido e definitivo é suficiente para levar as pessoas a acreditarem que finalmente encontraram um produto capaz de resolver o problema do excesso de peso. Como sabemos, a obesidade é uma doença multifatorial e, portanto dificilmente terá como solução uma única forma de tratamento", diz a nutricionista.

Existem, também, aqueles que acreditam que, para eliminar peso, é necessário beber, no mínimo, dois litros de água diariamente. Lilian esclarece que não há evidência científica de que a água seja responsável por potencializar o emagrecimento. A recomendação para o consumo de água é referente à reposição para as perdas diárias do organismo, além da transpiração e da respiração. A quantidade varia para homens e mulheres, dependendo da temperatura ambiente, do tipo de atividade diária e da prática de exercícios físicos.

Corpo ideal

Um dos mitos mais comuns relacionados ao excesso de peso é o de que a condição está ligada ao tamanho e peso dos ossos. É normal quem diga "acontece que eu tenho ossos largos". Esta, porém, é uma afirmação que não se sustenta.

"Existem dois tipos de obesidade: a andróide ou abdominal, que se caracteriza pelo aumento da gordura na região e, normalmente, está associada à Síndrome Metabólica (hipertensão arterial, diabetes etc) e a ginóide, na qual a gordura se concentra no quadril. Sendo assim, podemos afirmar que o tamanho da estrutura óssea não serve como referência", explica Cynthia Fares, endocrinologista associada à Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

Atividades físicas são de grande importância no processo de emagrecimento, mas podem ser perigosas quando feitas em jejum. De acordo com Lilian, é verdade que, nestas condições, há uma economia de glicose e maior mobilização da gordura durante a atividade e até algum tempo depois. Por outro lado, há o risco de desmaios e, até mesmo, danos cerebrais, além do que a massa muscular, responsável por boa parte da energia produzida no organismo, pode ser prejudicada. O consumo de alimentos ricos em carboidratos como frutas, pães e barras de cereais, é aconselhado para antes e imediatamente depois de atividades físicas.



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Especialistas Consultados
  • Lilian Cardia - Tel.: (11) 3237-2412
  • Cynthia Fares - Tel.: (11) 4191-1783



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