Hapkido: saúde e autofedesa
É fato: emagrecer sem praticar atividades físicas é uma tarefa difícil. Para algumas pessoas, porém, tão complicado quanto é ter que passar pela rotina de uma academia. Uma alternativa, nesse caso, é recorrer às artes marciais, melhor ainda se for uma que ofereça, ao mesmo tempo, conhecimentos de autodefesa e exercício. Estamos falando do Hapkido.
E a modalidade vai além: "é uma das artes marciais mais completas. Tem todos os tipos de técnica, como chutes, torções, mobilidade, arremessos, acrobacias, ações no solo e contra armas, tanto brancas, como de fogo. É um método de defesa pessoal bem abrangente", explica o mestre Flávio Augusto de Oliveira, da Associação Tadao de Hapkido.
"É uma arte mais direcionada para a rua do que para competições, propriamente", completa o mestre de Hapkido tradicional 4º dan Paulo Caldas Jr., fundador da Liga Nacional de Hapkido.
Um pouco de história
As versões sobre a origem do Hapkido são várias. A mais provável é que tenha surgido na Coréia, sendo formado por técnicas desenvolvidas durante a unificação do antigo reino coreano e combates de guerra contra o Japão. Mais tarde, foi consolidado por Choi Yong Sul, que deu o nome de Hapkido à técnica em 1957. No Brasil, "o estilo foi trazido em 1972, para o exército, pelo grão-mestre Park Sung Jae. Foi ele o introdutor oficial", explica Caldas.
Quanto às chamadas correntes, não há aquelas que possam ser consideradas principais. "Existem muitas por ser uma arte marcial bastante difundida. Temos alguns estilos criados no Brasil. São sistemas de ensino, na verdade, formas didáticas com mudanças na metodologia. Mas, as técnicas são muito semelhantes", diz Oliveira, que desenvolveu o método Jikbukwan (escola de homens honestos e honrados).
O caminho para ser faixa preta
A evolução, no Hapkido, a princípio, funciona como na maioria das artes marciais. Caldas ensina que o estilo tradicional começa com faixas coloridas (branca, amarela, azul e vermelha) e chega até a preta, que não é o fim. O treinamento continua, agora com um sistema chamado de "dan", que evolui por uma classificação numérica. "No Brasil, o grau mais alto é o 8º dan. A partir daí, só alguém que fundou um estilo ou tem mais de 40 anos de prática. No mundo, existem vários dans 10 e 11", explica o mestre.
O tempo para que o treinamento esteja completo é indefinido. "São quatro anos de treinamento, no mínimo, para chegar na faixa preta. A evolução de faixas demora: da branca para amarela, são oito meses; daí para a azul, um ano; dessa para a vermelha, dois e, para a preta, mais um ano", explica Caldas.
"Varia de escola para escola. Aqui, trabalhamos o período de seis meses. São cerca de seis a oito anos para se tornar um faixa preta. Leva tempo pois são muitas técnicas para aprender", completa Oliveira.
Para começar
Antes de começar a praticar, é recomendável passar por um médico e pela avaliação física da academia. "É um tipo de treino mais puxado, mais forte, precisa ter uma condição física boa para iniciar", diz Oliveira. "Se está acima do peso, a pessoa começa de um maneira mais tranqüila", completa Caldas.
O Hapkido costuma ser praticado por homens e mulheres a partir dos 6 até mais de 40 anos (algumas escolas oferecem aulas especiais para crianças), de acordo com Oliveira.
As únicas restrições são para problemas médicos, como dificuldades respiratórias. De resto, o Hapkido é um esporte para todos. "Treinando, perde-se peso, pela atividade física. Várias pessoas nos procuram por causa disso, não gostam de academia, vêm treinar para perder peso e acabam gostando da filosofia, de tudo o que o Hapkido envolve", finaliza o mestre.
Leia mais
"Hapkido: O caminho da energia coordenada", Paulo Caldas Jr. - On Line Editora
Publicado em 18/04/2008
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