Emagrecer sim, mas com saúde
Ficar magro e bonito é o sonho de todos. Mas, e a saúde? Promessas de perder peso rápido, além de quase nunca funcionarem, podem trazer danos à saúde. É preciso adotar mudanças de hábitos, que vão desde os alimentares até, necessariamente, a prática de uma atividade física regular, para viver com qualidade de vida.
A dieta depende da cultura de cada um, principalmente de gostar ou não de determinados alimentos. Por isso, o ideal é consultar-se com um médico e / ou uma nutricionista para que montem um cardápio de acordo com seus hábitos diários e paladar, de forma individualizada. O médico pode, também, determinar o tipo e a maneira mais segura de atividade física para garantir bons resultados sem comprometer a saúde do paciente.
Luciano Giacaglia, endocrinologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, alerta que as dietas da moda, além de monótonas e tediosas, são nutricionalmente pobres, uma vez que tendem a excluir importantes nutrientes, acarretando carências nutricionais diversas. "Diferente do que se imagina, é comum encontrarmos indivíduos obesos e desnutridos ao mesmo tempo", conta.
Giacaglia afirma que é possível listar várias complicações que a falta de carboidratos, nutrientes e outros agentes necessários para uma boa alimentação podem causar. A carência de vitaminas e minerais compromete a visão, a imunidade, a cicatrização, a reprodução, o crescimento, a calcificação dos ossos e a formação de glóbulos vermelhos. Já a falta de proteínas leva a disfunções imunológicas (aumento de infecções), alterações de pele e unha, inchaços e fraqueza muscular. As proteínas em excesso, porém, também não são saudáveis, uma vez que sobrecarregam o fígado, produzindo ácidos que podem descalcificar os ossos e prejudicam os rins, levando à formação de cálculos, hipertensão arterial e insuficiência renal.
Perder peso gradualmente
Segundo o endocrinofisiologista João Pinheiro, que atua no Espaço Aono é preciso diferenciar emagrecimento de perda de peso. "O primeiro, mais eficiente, consiste em utilizar somente as gorduras (e não as proteínas ou músculos) como fonte de energia no metabolismo da dieta e das atividades físicas. Para que isso aconteça harmoniosamente, faz-se necessário um equilíbrio entre o metabolismo hormonal e psiquismo das pessoas", esclarece o especialista. "Assim, ocorre uma redução de medidas, ausência do efeito sanfona e melhor qualidade de vida, que persiste por longos anos", completa.
Em contrapartida, segundo Pinheiro, a perda de peso consiste em utilizar carboidratos, gordura e músculos como fonte de energia. Assim, a pessoa consegue reduzir o peso, mas surge o efeito sanfona e possíveis doenças (físicas, como as alterações no funcionamento da insulina e das glândulas tireóide e hipófise, ou emocionais). Nesse caso, a pessoa terá mais gordura no corpo e, com o tempo, precisará reduzir a quantidade de alimentos calóticos.
Quando se perde mais de 4 kg ao mês, o organismo reage a esta variação rápida, deixando mais lento o metabolismo e tentando reverter a perda de peso. Portanto, emagrecer rápido, como propõem certas dietas não confiáveis, significa recuperar o peso também rápido. O organismo, geralmente, numa tentativa de defesa, tenta elevar o peso acima do nível inicial, agravando ainda mais o problema.
Dietas saudáveis
"Dieta saudável é uma só, seja para magros, pessoas acima do peso, de peso normal, diabéticos, com colesterol alto ou não: rica em vegetais e frutas; que privilegia os carboidratos integrais (que fornecem a energia necessária ao organismo); proteínas vegetais, como as leguminosas; com pequenas porções de proteína animal pouco expostas ao calor, como os defumados; laticínios desnatados; preferência às gorduras poli ou monoinsaturadas - com moderação também. Devem ser evitadas gorduras saturadas ou trans; restrição ao sal, ao açúcar e carboidratos refinados; aumento da ingestão de água (reduzindo sucos, refrigerantes) e ingestão de alimentos naturais e menos industrializados", orienta Giacaglia.
Na visão de Pinheiro, não existe uma fórmula única que sirva para todas as pessoas emagrecerem com saúde. Cada um precisa de um programa formulado especialmente para si. "Por meio de exames específicos é possível estabelecer um plano personalizado, composto de reeducação alimentar, atividades físicas e tratamentos adequados à necessidade e à disponibilidade de cada paciente", diz o endocrinofisiologista. "Não existe milagre, mas, sim, a possibilidade de usar a ciência para obter resultados em curto prazo e com permanência duradoura", observa.
"A medicina moderna não trabalha mais com a referência do chamado peso ideal, tido como meta genérica ao longo dos anos. Atualmente, estabelece-se o percentual de gordura corporal ideal (definido por cálculos e medições) que, para pessoas normais, é de até 25%", explica. "Ao conscientizarmos o paciente desta realidade, as chances de sucesso se ampliam", conclui.
Sinal verde ou vermelho?
Para quem quer seguir uma dieta saudável e segura, Giacaglia aconselha que, antes de iniciar uma dieta específica, faça as seguintes perguntas:
1. Você é capaz de segui-la por toda a vida?
2. É nutricionalmente bem balanceada?
3. Adapta-se ao seu estilo de vida?
4. Adapta-se ao seu paladar?
5. Os alimentos propostos são de fácil obtenção e não muito caros?
A proposta de dieta:
1. Te deixa com a sensação constante de fome?
2. Te deixa fraco ou com labilidade emocional?
3. É restritiva demais em termos de calorias?
4. Recomenda a total exclusão de algum grupo alimentar?
"Se puder responder 'sim' às perguntas 1 a 5 e 'não' às 6 a 9, então está no caminho certo e pode começar a pensar em seguir a dieta", afirma Giacaglia.
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Comer Para Emagrecer - Jacques Fricker - Ed. Vozes
Publicado em 18/04/2008
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