Comer menos para viver mais
Comer bem e comer pouco: eis a receita para viver mais e melhor. Contando calorias, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos descobriu que, ao comer com moderação ? apenas refeições saudáveis e pouco calóricas ?, é possível retardar o envelhecimento e proteger o coração. Não é a promessa da eterna juventude, mas sim de uma velhice saudável e lúcida.
?É importante buscar a qualidade e o controle da alimentação, pois comer demais ?desgasta? o organismo e acelera o envelhecimento?, explica a nutricionista Madalena Vallinoti. ?Ocorre uma maior sobrecarga metabólica e uma maior produção de radicais livres, que podem ?enferrujar? as nossas células?.
Comer demais, concluíram os pesquisadores, aumenta a produção de uma substância chamada T3, produzida na tireóide. Apesar de ser indispensável para a geração de energia no organismo, esse hormônio está relacionado com a aceleração do metabolismo. Em excesso, pode causar a oxidação precoce das células. Por isso, uma pequena redução em suas taxas já seria capaz de ?atrasar? o processo de envelhecimento.
Outra boa notícia: o mesmo estudo, conduzido pela Universidade de St. Louis, revelou que a redução calórica protege as artérias, pois o organismo passa a produzir menos a substância TNF-alfa, relacionada com a inflamação e com a necrose arterial.
Estudos avançam
A primeira vez que a ciência resolveu investigar a relação entre o consumo de calorias e o envelhecimento foi em 1930, quando o pesquisador Clive McCay, da Universidade Cornell, observou que ratos mantidos com dieta de baixo conteúdo calórico viviam mais tempo. A princípio, o estudo foi interpretado como simples curiosidade. Nos últimos vinte anos, porém, diversos trabalhos provaram que o cientista tinha razão.
Menos radicais livres
Outra pesquisa recente, também coordenada por estudiosos americanos (desta vez, na Universidade do Alabama), mostrou que a restrição calórica ajuda a equilibrar os níveis de insulina no sangue, o que beneficia o pâncreas e afasta o risco do diabetes. Neste processo, descobriram os pesquisadores, as células ficam mais imunes aos grandes vilões do envelhecimento, os radicais livres, cuja ação é capaz de danificar o DNA.
?Uma alimentação de boa qualidade é fundamental para manter o equilíbrio metabólico, promovendo a redução da formação dos radicais livres, que podem modificar as informações genéticas de nossas células?, continua Madalena.
Por alimentação de boa qualidade, entenda-se: carboidratos complexos, que são ricos em fibras, proteínas magras, gorduras monoinsaturadas, frutas e verduras.
?O exagero de gordura certamente está ligado à maior morbidade e ao aparecimento precoce de doenças, assim como o agravamento das já existentes?, afirma o endocrinologista Daniel Raicher.
Também é importante colocar o corpo para funcionar. ?O correto é alimentar-se diversas vezes, pelo fato de o organismo trabalhar em forma cíclica, estimulando o pâncreas. Além disso, quando estamos saciados, as funções são realizadas de forma mais adequada?, conclui Daniel.
Leia mais:
"Comida de verdade: o que comer para ser saudável e feliz", de Nina Plank. Editora Arx.
Publicado em 19/12/2007
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